C.,
Às vezes eu tenho medo de estragar tudo. Carrego essa sensação comigo e acho que você deveria saber. Pode ser infundado, mas eu sinto isso. Eu não gosto dessa minha impetuosidade e não sei de onde ela vem. Ou talvez saiba, mas gostaria de controlá-la. Tenho que aprender que dizer aquilo que se pensa nem sempre é necessário. Eu machuco as pessoas involuntariamente. Aquelas que mais amo. Palavras duras saem de mim para não me pertencerem mais e se perdem.
Você deve saber também o quanto amo meus filhos. E deve ter percebido o significado maior da família para mim. Não sei ouvir críticas sobre eles. É coisa de mãe, C.. Eu sei dos defeitos deles, mas eu posso falar. Só eu. Nesse ponto não pretendo mudar. Não admito mesmo que falem dos meus filhos. São minhas referências na vida e meus amores. Como você é também, C.. E não deixo que falem de você. Eu posso, os outros, não.
Eu tenho um passado que talvez você não goste, C.. E tenho filhos, como você bem sabe. Tenho tentado deixá-los crescer e cortar o cordão umbilical, mas você vê que ainda não cicatrizou totalmente, porque vínculo de mãe e filho é pra sempre. Mas devagar eles vão entendendo que cada um tem seu caminho a seguir, e eu, mesmo sendo mãe, também devo seguir o meu. Eu sei que filho a gente cria é pro mundo, e isso não é clichê, nem verdade barata. É o que é.
E eu continuo amando você, C.. Eu sonhava com um homem o qual eu pudesse admirar. E eu admiro você. E espero que para sempre.
Lovely,
F.